«Então não quiseste ser enfermeira como os teus pais?» Nah…

Ao longo dos anos, fui tendo situações muito caricatas e engraçadas no que toca à minha relação com a área da saúde no geral. Como dizem os antigos: «em casa de ferreiro, espeto de pau», e não é que é mesmo? Os meus pais são os dois enfermeiros e exercem há vinte e seis anos e eu sempre convivi com a profissão deles de perto, mas não vos digo, nem vos conto, esta relação tem sido uma montanha-russa de aventuras que se eu me pusesse a contá-las todas escrevia uma saga de livros maior do que a do Harry Potter e eu não quero tirar a J.K. Rowlings dos tops de vendas.

Porque é que vos estou a contar isto? Porque ontem numa conversa muito engraçada com uma amiga da minha mãe, dei por mim a responder pela milésima vez à tão popular questão: « Então não quiseste ser enfermeira como os teus pais?». A esta pergunta respondo sempre com a versão sintetizada «nah, eu não fui feita para isso.», quando na verdade a resposta é muito mais aprofundada e fundamentada por uma série de peripécias que só Deus sabe e que agora, sim agora, dá vontade de rir!

Afinal umas horas antes dessa pergunta ter sido colocada, vivi um momento muito “dramático” para mim e que só por si já responderia à pergunta. Pois nessa mesma manhã, quando fui ver a minha mãe ao hospital e vi o catéter venoso espetado no braço dela, ai Senhor!, o mundo começou a girar muito, senti o cerébro a comprimir e a vista a ficar areada. Oh pah, numa situação normal, eu recorreria à minha mãe, toda a gente sabe que as mães foram criadas para solucionar este tipo de problemas, o problema é que eu tinha ido visitar a minha que estava com o pé engessado. Então respirei fundo e comecei a rezar para que passasse, não queria preocupá-la, só que o problema é que parecia piorar. Também não queria dar parte fraca porque ela estava com visitas, então vasculhei na minha bolsa que está sempre tão cheia de coisas como a da Mary Poppins e desencantei uma pacote de açúcar, fui em marcha atlética até à casa de banho, emburquei-o e digo-vos comer açúcar com açúcar é só intragável, mas lá fez o efeito, passou e só à tarde é que lhe contei o que me tinha acontecido. Ela riu-se porque já sabe que não há nada a fazer, eu tenho uma avaria de fabrico para a qual não há solução.

Como se esse episódio não fosse suficientemente esclarecedor sobre o porquê de eu nunca ter querido ser enfermeira, dou por mim a vivenciar outro episódio similar, na clinica onde faço umas horas ao sábado de manhã. Pois bem, hoje apareceu um menino pequeno para fazer análises e eu como sempre tive pena dele, pois se eu detesto tirar sangue, na idade dele odiaria também. O problema é que pela primeira vez ao fim de dois anos do último episódio, fui recrutada para ir ajudar dentro da sala de colheitas porque era preciso distrair o miúdo. Se ontem com o catéter foi o circo que foi, imaginem presenciar a agulha a entrar na pele e ver o sangue a encher o tubo. Eu pensei ali que me iria dar o verdadeiro badagaio. Entrei, pus o meu melhor sorriso, porque o menino não precisava de incentivo para não querer tirar sangue, tentei dar-lhe a mão e perguntar se ele tinha namorada, aquelas perguntas que toda a gente faz às crianças. Tendo sempre o cuidado de me pôr do lado oposto ao do enfermeiro, se eu não visse a agulha sobreviveria para contar a história. Só que a sorte não estava do meu lado e quando tive de ajudar o enfermeiro a segurar o braço do rapaz fui obrigada a presenciar o momento que eu tanto receava e foi horrível. Mostrar coragem a alguém quando te sentes a desfalecer por dentro é terrivel e quando eu saí da sala tremia como varas verdes. Nesse instante, enquanto eu tentava controlar os tremores das minhas mãos, ri-me e pensei: « se as pessoas me vissem nestes momentos nunca poriam em questão o facto de eu não ter enveredado pelo mesmo rumo dos meus pais.»

Afinal os enfermeiros para mim são super heróis, não penso isso só pelos meus pais serem, mas pelo facto que eles têm de lidar com florzinhas de cheiro como eu todos os dias e conseguem sempre dar a volta à situação. O problema é que essa vida não foi feita para mim. Podia contar-vos mais histórias como estas, mas talvez noutro dia, senão este post fica do tamanho de uma tese de doutoramento.

E vocês, são florzinhas de cheiro como eu? Se sim, contem-me as vossas melhores histórias nos comentários!

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